Cognitio: Revista de Filosofia https://revistas-anterior.pucsp.br/index.php/cognitiofilosofia <p>Editada pelo Centro de Estudos de Pragmatismo do Programa de Estudos Pós-Graduados em Filosofia, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, a <strong>Cognitio</strong> é uma revista de filosofia com foco em temas relacionados principalmente ao Pragmatismo clássico.</p> <p> </p> pt-BR revcognitio@gmail.com (Renan Henrique Baggio) revcognitio@gmail.com (Renan Henrique Baggio) sex, 31 jan 2025 23:20:25 -0300 OJS 3.2.1.3 http://blogs.law.harvard.edu/tech/rss 60 Metáforas literárias e a esperança de renovação social https://revistas-anterior.pucsp.br/index.php/cognitiofilosofia/article/view/68345 <p>Este trabalho discute alguns aspectos das metáforas literárias na filosofia de Richard Rorty. Trata-se de uma investigação de caráter bibliográfico centrada em alguns momentos específicos da produção filosófica rortyana, especificamente, nas obras <em>Contingência, ironia e solidariedade </em>(2007) e <em>Ensaios sobre Heidegger e outros </em>(1999a). Foram consultadas como literatura de apoio obras e artigos de intérpretes que abordam temas da ética, filosofia política e filosofia social no pensamento de Rorty, a exemplo de Malachowski (2002) e Schulenberg (2015). Nesse contexto, Rorty propõe um uso prático para as metáforas literárias como elemento fomentador de mudanças individuais e sociais, visto que sugerem, por meio da imaginação, cenários éticos, políticos e sociais alternativos, além de inspirar mudanças redescritivas específicas para as descrições dos indivíduos e sua comunidade.</p> Heraldo Aparecido Silva, Francisco Raimundo Chaves de Sousa Copyright (c) 2025 http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://revistas-anterior.pucsp.br/index.php/cognitiofilosofia/article/view/68345 ter, 25 fev 2025 00:00:00 -0300 Crenças por contágio https://revistas-anterior.pucsp.br/index.php/cognitiofilosofia/article/view/73858 <p>A discussão peirciana sobre os modos de fixar crença permanece atual diante do cenário informacional contemporâneo, no qual as redes digitais assumem lugar central na produção e circulação de conteúdos. Entretanto, os critérios que garantiam confiabilidade às crenças científicas, como a continuidade da experiência, o teste empírico e o escrutínio comunitário, vêm sendo substituídos por processos de validação social imediata baseados na velocidade, repetição e viralidade da informação. Neste artigo, analisamos o fenômeno que denominamos transmissão de crenças por contágio, entendido como um modo emergente de reprodução da crença em ambientes mediados por plataformas digitais. Para tanto, revisamos o conceito de crença no pragmatismo de Peirce e o situamos no contexto semiótico das redes. Em seguida, descrevemos a estrutura triádica que sustenta a dinâmica desse contágio, articulada na relação meme–rede–crença: o meme como elemento icônico, a rede como índice e a crença como símbolo enquanto lei geral de ação. Demonstramos que essa forma de disseminação não resulta do diálogo com os fatos, mas da capacidade de engajamento comunitário e algorítmico, configurando uma simulação da investigação científica que compromete a formação de hábitos responsivos à realidade. Por fim, defendemos a necessidade de promover, no ambiente digital, formas de circulação de crenças que recuperem os princípios cooperativos e investigativos do método científico, de modo que a racionalidade possa também se tornar objeto de um contágio orientado ao crescimento da experiência e ao ideal de verdade.</p> Renan Henrique Baggio Copyright (c) 2025 http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://revistas-anterior.pucsp.br/index.php/cognitiofilosofia/article/view/73858 qui, 30 out 2025 00:00:00 -0300 A imaginação como categoria política https://revistas-anterior.pucsp.br/index.php/cognitiofilosofia/article/view/68804 <p>O conceito de imaginação não tem figurado como categoria de primeira importância para a teoria política enquanto categoria política, onde termos como “poder”, “liberdade”, “justiça” ou mesmo “direitos” costumam receber a maior parte dos nossos esforços e da nossa atenção. Uma exceção notável, embora longe de ser única é o peso atribuído pelo jurista e filósofo Roberto Mangabeira Unger ao conceito. Este artigo discute os usos da ideia de imaginação na obra de Unger, sobretudo em <em>O homem despertado</em>, obra em que o autor explora o pragmatismo “desacorrentado”, ressaltando as consequências dos usos da ideia de imaginação para a teorização acerca da política, bem como limites e possíveis críticas ao autor, como o voluntarismo de sua teoria e sua negligência das relações de poder estabelecidas na sociedade.</p> Carlos David Carneiro Bichara Copyright (c) 2025 http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://revistas-anterior.pucsp.br/index.php/cognitiofilosofia/article/view/68804 qui, 27 fev 2025 00:00:00 -0300 Contribuições da filosofia peirciana aos debates contemporâneos sobre a desinformação https://revistas-anterior.pucsp.br/index.php/cognitiofilosofia/article/view/69892 <p>O presente texto pretende explorar teoricamente de que maneira a filosofia de Peirce pode servir de base para conceituar e descrever práticas cotidianas entendidas genericamente como desinformação. Partimos de uma revisão da literatura brasileira sobre as contribuições da filosofia peirceana para o fenômeno da desinformação. Em seguida, situamos nossa posição como inspirada na proposta teórica normativa da semiótica peirceana, mas defendemos que para lidar com o fenômeno da desinformação, tal proposta precisa ser complementada por elementos descritivos, que não estavam no centro de interesse da filosofia peirceana. A partir dessa consideração, refletimos sobre duas dimensões filosóficas que nos parecem centrais para uma abordagem peirceana sobre a desinformação: (1) a teoria semiótica da informação, entendida como parte da proposta normativa peirceana sobre o curso ideal da semiose; e (2) a reflexão sobre os métodos de fixação de crenças, na qual chamamos a atenção para os três métodos não científicos de resolver uma dúvida e fixar uma crença. Defendemos que o que se entende por desinformação na atual cultura digital são práticas que, em linhas gerais, se afastam das exigências de escrutínio sistemático do pensamento crítico, e funcionam como desvios no curso normal da semiose.<span class="Apple-converted-space"> </span></p> Tarcísio de Sá Cardoso, Gustavo Rick Amaral Copyright (c) 2025 http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://revistas-anterior.pucsp.br/index.php/cognitiofilosofia/article/view/69892 ter, 09 set 2025 00:00:00 -0300 A Filosofia peirciana do mais que humano, seus precursores e seus herdeiros https://revistas-anterior.pucsp.br/index.php/cognitiofilosofia/article/view/70334 <p style="font-weight: 400;">O artigo discute os aspectos mais que humanos ou extra-humanos da filosofia semiótica de Charles S. Peirce, contextualiza-a na história das ideias (Aristóteles, os medievais, Montaigne, Descartes), examina seus fundamentos, suas sintonias e diferenças em relação às tendências do século XXI nos estudos culturais e filosóficos, no contexto das &nbsp;dicotomias e do antropocentrismo herdados da cultura ocidental, atualmente denunciados pelo pós-humanismo, estudos não-humanos, Ontologia Orientada a Objetos e pelo paradigma mais que humano.</p> Winfried Nöth, Lucia Santaella Copyright (c) 2025 http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://revistas-anterior.pucsp.br/index.php/cognitiofilosofia/article/view/70334 ter, 18 fev 2025 00:00:00 -0300 A relevância contemporânea da filosofia de Peirce em relação à inteligência artificial https://revistas-anterior.pucsp.br/index.php/cognitiofilosofia/article/view/69459 <div>A disseminação das Inteligências Artificiais, agora um novo termo para um amplo quadro de tecnologias relacionadas entre si, provocou um clima de insegurança. Além do caráter preditivo de várias tecnologias, criador de hipóteses para as decisões humanas, adicionou-se um caráter generativo no uso da LLMs, o qual aparece como de forma imatura, duvidosa e de propensão a pouca eticidade. Socialmente, há um grande entusiasmo com o possível progresso que pode ser gerado, bem como muita apreensão com a hipótese do mal uso desta virada tecnológica. Ambas as situações são legítimas. De consequência, há muita desinformação turvando a avalição aceitável de “quanto grande” a IA é. Neste artigo, demos um passo atrás para perguntar como a ferramenta estará alinhada às emoções e, principalmente, à relação semiótica e às inferências possíveis que de seus resultados se podem desenvolver. Na introdução, com o estabelecimento de novas fronteiras para a ética, refletimos sobre a sua posição contemporânea enquanto um braço da filosofia. No segundo tópico, da forma mais sucinta possível, tentamos esclarecer a operação das inteligências artificiais, para, em seguida, imaginar os riscos e prováveis disfunções da ferramenta. Por fim e em conclusão, apresentamos os elementos que indicam a contemporaneidade da filosofia de Peirce em referência à inteligência artificial generativa.</div> José Luiz Zanette Copyright (c) 2025 http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://revistas-anterior.pucsp.br/index.php/cognitiofilosofia/article/view/69459 ter, 08 abr 2025 00:00:00 -0300 O papel da conversação, da investigação e da deliberação na resolução de problemas https://revistas-anterior.pucsp.br/index.php/cognitiofilosofia/article/view/69989 <div><span lang="EN-US">Problemas são geralmente definidos como barreiras para objetivos. Consequentemente, é uma forma de raciocínio prático, entendida como descobrir os meios pelos quais tais barreiras devem ser removidas. A forma geral de raciocínio prático sugere três processos que estariam envolvidos na resolução de problemas. O primeiro é chegar a uma compreensão do problema, que envolve o processo de conversação. O segundo é uma questão de investigação – descobrir as hipóteses práticas, os meios de resolver o problema. Como a resolução de problemas requer cooperação de outros, também requer deliberação entre aqueles afetados por um problema sobre qual das hipóteses práticas funcionará melhor, terminando em algum acordo. Usando o trabalho de pragmatistas, como Peirce, James, Dewey, Addams, Wallace, Kitcher, entre outros, o objetivo do artigo é mostrar uma estrutura normativa para cada um desses processos que pode levar melhor à resolução eficaz de problemas.</span></div> James Liszka Copyright (c) 2025 http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://revistas-anterior.pucsp.br/index.php/cognitiofilosofia/article/view/69989 seg, 07 jul 2025 00:00:00 -0300 Afastando-se da base pragmática da inteligência natural https://revistas-anterior.pucsp.br/index.php/cognitiofilosofia/article/view/72521 <div>Estamos no vestíbulo de uma era em que a Inteligência Artificial parece destinada não apenas a gerenciar, mas a governar o fluxo e o uso da informação. Como o impacto sobre a vida e a cultura humanas certamente será profundo, é imperativo que a concepção de inteligência que orienta a IA seja compatível com a inteligência humana. O neurocientista e desenvolvedor de IA Jeffrey Hawkins está convencido de que a IA está trilhando um caminho errado ao se basear em modelos de linguagem de grande escala (big data), e que, para alcançar a Inteligência Artificial Geral (AGI), objetivo quase universal dos desenvolvedores de IA, é necessário adotar uma abordagem inspirada biologicamente. Ele desenvolveu uma nova e promissora teoria natural da inteligência baseada no funcionamento do neocórtex humano, mas descarta os processos do cérebro mais antigo como em grande parte desnecessários e contraproducentes para uma IA pós-darwiniana. A concepção naturalista de inteligência desenvolvida pelos pragmatistas clássicos há um século e meio oferece um arcabouço teórico mais rico, que situa os agentes inteligentes em ambientes interativos, o terreno pragmático da inteligência natural. Peirce, em particular, com sua busca ao longo da vida para compreender profundamente como o conhecimento pode ser extraído da experiência, desenvolveu teorias da percepção, formação de crenças, semiose e lógica cognitiva, que, tomadas em conjunto, constituem a base para uma teoria abrangente da inteligência. Essa teoria incorpora formas instintivas e emocionais de inteligência e permite um espaço conceitual no qual o pensamento pode se concentrar em preocupações e interesses teóricos, normativos e estéticos complexos. Essa concepção pragmatista da inteligência, da mentalidade em geral, é necessária para compreender as limitações e os riscos da IA em sua corrida rumo à AGI.</div> Nathan Houser Copyright (c) 2025 http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://revistas-anterior.pucsp.br/index.php/cognitiofilosofia/article/view/72521 seg, 14 jul 2025 00:00:00 -0300 “Si conceptualizamos mal, politizamos mal” e o esvaziamento do conceito “liberdade” em traduções visuais https://revistas-anterior.pucsp.br/index.php/cognitiofilosofia/article/view/69151 <p>Percebemos a pós-modernidade tratando conceitos como um adversário a se despir de contornos na busca por um ideal de fluidez – o resultado dessa abstração é a vagueza. Conceituar, no entanto, encontra raízes no pragmatismo peirciano; ou seja, na aplicabilidade da ideia no real. Esvaziar conceitos fundamentais em prol de subjetividades dispersas dificulta a comunicação, o que tende a aumentar a despolitização: a partir daqui, trazemos a citação da filósofa Celia Amorós que compõe o título. Reconhecemos que conceituar é uma referência importante para conhecer. É uma maneira de compreender nosso entorno, e negá-lo só faz aumentar o sofrimento no processo de nos entendermos no mundo. Aprender a dar contornos a termos e ideias continuadas é também reconhecer-se na linguagem, tornando possível o compartilhamento de sistemas sígnicos, algo imprescindível para que a comunicação aconteça; afinal, os repertórios dos sujeitos devem se tangenciar para possibilitar um diálogo (Torres, 2006, p. 105). A partir do pressuposto de que esse esvaziamento se reflete na comunicação visual, influenciando nosso repertório e, consequentemente, na maneira como propagamos ideias, direcionamos nosso olhar para imagens que buscam representar um conceito polissêmico, familiar, alvo de muitas torções: liberdade, em torno de padrões retóricos, utilizando da pesquisa por palavras-chave em plataformas de busca por imagens. Iniciamos o artigo tratando da função de conceitos como um contraponto ao ideal de vagueza e, em especial, sua importância na comunicação e no design, onde marca um dos pontos iniciais do processo criativo. Levantamos alguns dos sentidos que o termo “liberdade” carrega: etimologicamente, na filosofia, na política, na sociologia. Em seguida, partimos para a coleta de imagens gráficas, capas de livros e iconografias. Por fim, verbalizamos o que cada imagem tende a retratar a fim de classificá-las e compará-las com as informações recolhidas a respeito do conceito “liberdade” e organizamos os resultados em quadros de padrões retóricos. Com essa triagem e posterior comparação dos resultados, pareando-os com alguns dos sentidos levantados, apontamos como o esvaziamento do conceito pode se refletir em suas traduções visuais, influenciando nossa capacidade crítica, e de que maneira a máxima pragmática de Peirce pode nos auxiliar na produção e leitura de signos visuais simbólicos; isto é, na significação dos conceitos, objeto da análise pragmática. Comparamos alguns dos sentidos de liberdade e sua tradução intersemiótica para avaliar a abertura semântica que tende a ser incorporada. De maneira mais profunda, procuramos perceber nas sutilezas das repetições as tendências de esvaziamento e tensionamento da linguagem e tratar pontos conceituais cruciais de maneira despreocupada e acrítica, dificultando a elaboração em cima de certos termos e ideias.</p> Amanda Monteiro Gonçalves, Sérgio Antônio Silva Copyright (c) 2025 http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://revistas-anterior.pucsp.br/index.php/cognitiofilosofia/article/view/69151 seg, 30 jun 2025 00:00:00 -0300 Da (im)possibilidade de substituição do juiz pelas aplicações de inteligência artificial https://revistas-anterior.pucsp.br/index.php/cognitiofilosofia/article/view/69585 <p style="font-weight: 400;">Este artigo examina a viabilidade da substituição do juiz natural por aplicações de inteligência artificial, com ênfase na perspectiva pragmática. A pesquisa ressalta os obstáculos técnicos e éticos envolvidos nessa substituição, como por exemplo as restrições das Inteligências Artificiais em relação à compreensão moral, imparcialidade e contextualização das decisões. Mesmo que as IA possam ser usadas como ferramentas auxiliares no sistema jurídico, a interpretação humana ainda é insubstituível devido à sua complexidade e profundidade. O estudo conclui que a figura do juiz, com sua capacidade de empatia e reflexão crítica, continua sendo essencial para a busca pela justiça.</p> Clarice von Oertzen de Araujo, Catherine Fernanda dos Santos Armando Copyright (c) 2025 http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://revistas-anterior.pucsp.br/index.php/cognitiofilosofia/article/view/69585 sex, 11 abr 2025 00:00:00 -0300 Um palpite sobre o enigma de Schultes https://revistas-anterior.pucsp.br/index.php/cognitiofilosofia/article/view/69323 <p>Entre 1941 e 1953, Richard Evans Schultes, considerado o principal nome da etnobotânica, realizou intensa pesquisa de campo entre comunidades indígenas na Amazônia colombiana, peruana e brasileira. Durante esse período, catalogou mais de 1.200 novas espécies botânicas e investigou profundamente os usos culturais e medicinais de plantas com potencial de alteração da consciência. Seu principal interesse de estudo esteve relacionado à <em>Banisteriopsis Caapi</em>, uma videira nativa usada na preparação da Ayahuasca. Em um artigo de 1986, Schultes relatou um enigma intrigante: como os informantes indígenas conseguiam identificar, à distância e sem hesitação, o quimiotipo de diferentes variantes dessa espécie? Neste trabalho, examinamos o enigma de Schultes sob a perspectiva da filosofia da cognição, especialmente a partir das contribuições de Kant e Peirce. Propomos um roteiro investigativo que, através da análise de conceitos-chave da proposta filosófica destes dois autores, nos permita especular possíveis hipóteses para resolução do enigma. No decorrer deste roteiro, consideramos diferentes abordagens sobre a cognição humana, a estética, as possibilidades de expansão cognitiva por meio de artefatos biológicos e divergências e convergências de diferentes concepções epistemológicas. Como conclusão, propomos que, no contexto analisado, a Ayahuasca pode ter sido utilizada por nativos ameríndios como artefato cognitivo com potencial de ampliação das capacidades perceptivas. Assim, em nossa abordagem, o enigma de Schultes se revela não apenas como um desafio etnobotânico, mas como a porta de entrada para a investigação de questões mais amplas sobre o conhecimento humano e suas possibilidades.</p> João Mateus Cunha Diniz Arantes, Anderson Vinícius Romanini, Angélica Patricia Rodríguez Vargas Copyright (c) 2025 http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://revistas-anterior.pucsp.br/index.php/cognitiofilosofia/article/view/69323 qui, 03 jul 2025 00:00:00 -0300 Mecanismos e inferência da melhor explicação https://revistas-anterior.pucsp.br/index.php/cognitiofilosofia/article/view/70005 <p>Inferências não dedutivas não garantem certeza; porém, elas são indispensáveis na ciência (para a indução, raciocínio probabilístico e inferência da melhor explicação). Paul Thagard tentou desenvolver uma noção – a noção de mecanismos – a fim de mostrar que eles, ainda que não garantam certeza, podem atenuar os problemas sugeridos por uma abordagem não dedutiva, ao contribuírem na compreensão das possíveis causas de um fenômeno. Este artigo aborda a noção de mecanismos de Thagard para a inferência da melhor explicação.</p> Marcos Rodrigues da Silva, Gabriel Chiarotti Sardi Copyright (c) 2025 http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://revistas-anterior.pucsp.br/index.php/cognitiofilosofia/article/view/70005 qui, 18 set 2025 00:00:00 -0300 Aceitabilidade epistêmica de condicionais indicativos em Igor Douven https://revistas-anterior.pucsp.br/index.php/cognitiofilosofia/article/view/69102 <p>Aceitabilidade designa credibilidade justificada ou racional. No disputado terreno das teorias sobre condicionais, as condições de aceitabilidade dos condicionais são um dos poucos tópicos em que se encontra algum consenso. Falar sobre as condições de aceitabilidade de condicionais é dizer sob quais condições é epistemicamente adequado formar crença em condicionais. Uma das interpretações mais amplamente aceitas pelos filósofos é a de que a aceitabilidade de um condicional se segue de sua probabilidade condicional correspondente. Essa é uma interpretação possível da tese de E. W. Adams, originalmente formulada em relação à assertividade de condicionais. Na literatura filosófica, é comum encontrarmos defensores da correção descritiva da tese de Adams, e isso implica a correção das condições de aceitabilidade que ela traz consigo. Para I. Douven, essa defesa é equivocada e a sua rejeição pode ser sustentada por resultados empíricos. Os resultados de um trabalho experimental conduzido por Douven em parceria com S. Verbrugge indicam que nem a tese original de Adams, nem algumas de suas versões enfraquecidas encontradas na literatura são descritivamente corretas. Isso não significa que a aceitabilidade de condicionais não possa ser formulada em termos probabilísticos, mas que as teses disponíveis precisam de ajustes para que sejam estipuladas melhores condições descritivas de aceitabilidade. Este artigo tem por objetivo revisar teorias epistêmicas de condicionais, sobretudo a tese de Adams, sob a luz dos resultados experimentais obtidos por Douven e Verbrugge. Busca-se, assim, oferecer uma reflexão sobre o papel que abordagens empíricas podem desempenhar na teorização filosófica em apreço.</p> João Lennon da Silva, Roberto Hofmeister Pich Copyright (c) 2025 http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://revistas-anterior.pucsp.br/index.php/cognitiofilosofia/article/view/69102 seg, 05 mai 2025 00:00:00 -0300 Naturalizando a lógica https://revistas-anterior.pucsp.br/index.php/cognitiofilosofia/article/view/70004 <p>Este artigo naturaliza a inferência indutiva, indicando como o conhecimento científico de mecanismos reais proporciona grandes benefícios para essa forma de inferência. Apresento a ideia de que o conhecimento sobre mecanismos contribui para a generalização, para a inferência da melhor explicação, para a inferência causal e para o raciocínio probabilístico. Partindo da ideia de que alguns A são B, uma generalização de que todos A são B se torna mais plausível quando um mecanismo conecta A e B. A inferência da melhor explicação é fortalecida quando as explicações empregam mecanismos e quando as hipóteses explicativas são elas próprias explicadas por meio de mecanismos. As inferências causais na explicação médica, no raciocínio contrafactual e por meio da analogia também se beneficiam de conexões por meio de mecanismos, os quais também auxiliam em problemas relativos à interpretação, disponibilidade e cálculo de probabilidades.</p> Marcos Rodrigues da Silva; Gabriel Chiarotti Sardi Copyright (c) 2025 http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://revistas-anterior.pucsp.br/index.php/cognitiofilosofia/article/view/70004 qui, 18 set 2025 00:00:00 -0300 Resenha https://revistas-anterior.pucsp.br/index.php/cognitiofilosofia/article/view/70210 <p>em seu livro, <em>Projetos de matematização da lógica: de Raimundo Lúlio a Giuseppe Peano</em>, Rafael da Silva da Silveira traça o desenvolvimento da lógica matemática, focando na criação da notação simbólica moderna usada desde o século XIX. Ele argumenta que esta não foi apenas uma pequena mudança, mas sim uma grande revolução científica, destacando figuras-chave e suas contribuições para este campo. Nesta resenha, busco mostrar alguns méritos e algumas falhas do livro, principalmente a exclusão de Charles S. Peirce (1839-1914) do percurso, e algumas consequências disso.<span class="Apple-converted-space"> </span></p> Cassiano Terra Rodrigues Copyright (c) 2025 http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://revistas-anterior.pucsp.br/index.php/cognitiofilosofia/article/view/70210 sex, 10 out 2025 00:00:00 -0300 Apresentação https://revistas-anterior.pucsp.br/index.php/cognitiofilosofia/article/view/70165 <p style="font-weight: 400;">Este número da revista <em>Cognitio</em> tem como tema a lógica de Charles S. Peirce. Em seu sentido mais amplo, a lógica é entendida por Peirce como semiótica, “a doutrina da natureza essencial e das variedades fundamentais da semiose possível; e penso que a área é muito vasta, o trabalho muito grande, para um pioneiro” (EP II, 413). Mesmo em seu sentido mais restrito, tomado como um estudo da validade das inferências dedutivas e seus componentes, a lógica é ainda muito vasta. A meio caminho entre esses dois limites (generalidade e a particularidade), encontra-se uma imensa variedade de temas contínuos sobre lógica. Os artigos reunidos nesta edição são mesmo amostras dessa variedade e esta é a razão pela qual o leitor pode encontrar aqui artigos que, por exemplo, não só tratam da distinção entre signos coletivos e gerais, mas também de lógica tri-valorada ou lógica modal.</p> Cassiano Terra Rodrigues, Jorge Alejandro Flórez Copyright (c) 2025 http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://revistas-anterior.pucsp.br/index.php/cognitiofilosofia/article/view/70165 sex, 31 jan 2025 00:00:00 -0300 Signos coletivos e generalidade na tricotomia do objeto dinâmico na semiótica de Charles S. Peirce https://revistas-anterior.pucsp.br/index.php/cognitiofilosofia/article/view/70048 <div>Para Peirce, a generalidade tem um caráter distributivo, isto é, o caráter de uma lei que pode ser aplicada a qualquer coisa que possa existir numa classe, sem afirmar se há alguma coisa ou qual é essa coisa, mas fornecendo uma descrição de como os individuais dessa classe devem ser selecionados (EP 2:284, 1903). Rodrigues (2017) afirma que Peirce não considera que a generalidade expressa nos quantificadores universais tenha o caráter coletivo, no sentido de significar um determinado grupo singular, uma coleção dada. Em 1905, Peirce (EP 2:352-353) afirma que “um termo coletivo é singular, pois ele denota um grupo dado e um uma coleção dada”. Em 1908, no entanto, Peirce utiliza o termo ‘coletivo’ para descrever a classe dos signos que possuem objeto dinâmico de terceiridade, que é a categoria da generalidade. Entretanto, ele também emprega o termo “distributivo” para descrever a classe dos signos que possuem objeto imediato de terceiridade. Notamos, assim, que, ao propor suas dez tricotomias, Peirce emprega tanto o termo “coletivo” quanto o termo “distributivo” para descrever o modo de ser da terceiridade, ou seja, da generalidade. Logo, embora Peirce tenha negado que a generalidade tenha o caráter coletivo no caso dos quantificadores lógicos, ele considerou usar o termo “coletivo” vinculado à generalidade dos objetos dinâmicos. É necessário, portanto, discutir o sentido do termo “coletivo” aplicado à terceiridade na tricotomia do objeto dinâmico. Esse é justamente o objetivo deste artigo que começa apresentando o problema do uso dessa terminologia na semiótica e as noções de coletivo e distributivo na semântica e na filosofia. Em seguida, mostra como os termos aparecem nos textos em que Peirce concebe as dez tricotomias e foca no uso do termo “coletivo” a partir de duas cartas, uma para William James, de 1909, e outra para o lógico inglês P. E. B. Jourdain, de 1908. A partir delas, apresentamos a relação entre o termo “coletivo” e a noção de continuidade que culmina na distinção das coleções finitas e enumeráveis e coleções infinitas e inumeráveis, sugerindo que a noção de coletivo no objeto dinâmico tem o sentido de uma coleção infinita e inumerável, associando a noção de objeto dinâmico à noção de contínuo.</div> Priscila Borges, Juliana Rocha Franco Copyright (c) 2025 http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://revistas-anterior.pucsp.br/index.php/cognitiofilosofia/article/view/70048 sex, 31 jan 2025 00:00:00 -0300 Lógica trivalorada e paraconsistência em Peirce https://revistas-anterior.pucsp.br/index.php/cognitiofilosofia/article/view/57507 <div>Peirce é hoje reconhecido como um dos pioneiros da lógica matemática e algébrica, mas seu trabalho original em lógicas não-clássicas ainda recebe escassa atenção fora do círculo estreito de especialistas peircianos. Esse é o caso do cálculo proposicional trivalorado que Peirce registrou em seu “Logic Notebook”, mais de uma década antes do surgimento das lógicas multivaloradas. A lógica triádica, como Peirce a chamava, foi formalizada por Turquette no final dos anos 1960. Turquette apresentou uma interpretação axiomática das tabelas trivaloradas em uma série de artigos que se tornaram referência nesse estudo. Recentemente, propusemos uma nova abordagem, enfatizando um fragmento não-explosivo da lógica triádica. Este artigo objetiva ampliar a pesquisa nos seguintes pontos: (i) uma análise crítica dos trabalhos de Turquette, incluindo a discussão do método Rosser-Turquette de axiomatização; e (ii) reconstrução do fragmento da lógica triádica em um sistema baseado na implicação material de Sobociński, formalizado em cálculo de sequentes. Concluímos que a matriz trivalorada de Peirce induz uma lógica paraconsistente, relevante e subestrutural, com potencial investigativo para as pesquisas contemporâneas em lógicas não-clássicas.</div> José Renato Salatiel Copyright (c) 2022 http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://revistas-anterior.pucsp.br/index.php/cognitiofilosofia/article/view/57507 sex, 31 jan 2025 00:00:00 -0300 Peirce e a lógica do mentiroso https://revistas-anterior.pucsp.br/index.php/cognitiofilosofia/article/view/61444 <p>Este artigo discute dois tratamentos dados por Charles Sanders Peirce ao paradoxo do Mentiroso, estabelecendo conexões com o debate atual acerca do tema. Nas Harvard Lectures de 1865, Peirce considera que a proposição do mentiroso é tanto verdadeira quanto falsa, o que, de acordo com sua visão sobre a lógica, torna a proposição sem sentido. Esse tratamento antecipa parcialmente a posição dialeteísta contemporânea, que considera que o Mentiroso é uma evidência de que algumas proposições são verdadeiras e falsas. Em textos posteriores, Peirce revisa seu tratamento do problema, considerando que a contradição do Mentiroso é falsa, alinhando-se à tradição da lógica de sua época. A discussão deste artigo evidencia que concepções lógicas específicas pressupostas na investigação de Peirce são as responsáveis pelas interpretações que ele fornece para a contradição envolvida no paradoxo. A partir dessa discussão, este artigo argumenta que o tratamento dado ao Mentiroso depende das concepções lógicas de fundo. Assim, as limitações encontradas por Peirce em suas abordagens ao problema são introduzidas pela lógica tradicional, que, diferentemente de algumas lógicas contemporâneas, não oferece aparato compatível com contradições verdadeiras.</p> Ivan Ferreira da Cunha, Ederson Safra Melo, Jonas Rafael Becker Arenhart Copyright (c) 2025 http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://revistas-anterior.pucsp.br/index.php/cognitiofilosofia/article/view/61444 sex, 31 jan 2025 00:00:00 -0300 Modelos científicos https://revistas-anterior.pucsp.br/index.php/cognitiofilosofia/article/view/70034 <div>Neste artigo vamos trabalhar as condições transcendentais que nos permitem caracterizar um modelo científico como um “diagrama”. Será retomada a noção de diagrama proposta por Ch. S. Peirce (2012) e retomadas as abordagens transcendentais da semiótica perceana para sustentar a função diagramática dos modelos na ciência. Para apoiar esta posição, alguns argumentos da semiótica pragmática e da semiótica transcendental também serão retomados. O objetivo deste artigo é dar conta do problema filosófico do esquematismo transcendental em I. Kant (2007) e da noção de esquema como fundamento do conhecimento.</div> Julio Horta Copyright (c) 2025 http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://revistas-anterior.pucsp.br/index.php/cognitiofilosofia/article/view/70034 sex, 31 jan 2025 00:00:00 -0300 Peirce e a lógica modal https://revistas-anterior.pucsp.br/index.php/cognitiofilosofia/article/view/60449 <div>Embora a lógica modal moderna tenha surgido em grande parte após a morte de Peirce, ele antecipou alguns de seus principais aspectos, incluindo implicação estrita e semântica de mundos possíveis. Ele desenvolveu a parte Gamma dos Gráficos Existenciais com cortes quebrados significando possível falsidade, mas depois identificou a necessidade de uma parte Delta sem nunca soletrar exatamente o que tinha em mente. Uma entrada em seu Caderno de Lógica pessoal é um candidato plausível, com linhas grossas representando possíveis estados de coisas onde proposições denotadas por letras anexadas seriam verdadeiras, em vez de sujeitos individuais aos quais predicados denotados por nomes anexados são atribuídos como na parte Beta. Novas regras de transformação implementam vários sistemas formais comumente empregados de lógica modal, que são prontamente interpretados definindo um mundo possível como aquele em que todas as leis relevantes para o mundo real são fatos, cada mundo sendo parcialmente, mas precisamente e adequadamente descrito por um conjunto de modelos de proposições fechado e consistente. De acordo com o pragmaticismo, as leis relevantes para o mundo real são representadas como implicações estritas com possibilidades reais como seus antecedentes e necessidades condicionais como seus consequentes, correspondendo a implicações materiais em todos os mundos possíveis.</div> Jon Alan Schmidt Copyright (c) 2025 http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://revistas-anterior.pucsp.br/index.php/cognitiofilosofia/article/view/60449 sex, 31 jan 2025 00:00:00 -0300 Topos de grafos existenciais sobre superfícies de Riemann https://revistas-anterior.pucsp.br/index.php/cognitiofilosofia/article/view/70114 <div>Os Grafos Existenciais de Peirce oferecem uma compreensão geométrica de uma variedade de lógicas (clássica, intuicionista, modal, de primeira ordem). A sua interpretação geométrica é dada por transformações topológicas de curvas fechadas (Jordan) no plano, mas pode ser estendida a outras superfícies (esfera, cilindro, toro etc.). Além disso, é possível desenhar grafos existenciais sobre superfícies de Riemann gerais e, introduzindo ferramentas da geometria algébrica (Feixes, Toposes de Grothendieck, Toposes Elementares), é possível tentar capturar as lógicas nas formas geométricas por meio de um novo Topos de Grafos Existenciais sobre Superfícies de Riemann e por meio do subobjeto classificador do topos. Oferecemos novas perspectivas (conceitos, definições, exemplos, conjecturas) ao longo desse caminho.</div> Angie Hugueth Copyright (c) 2025 http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://revistas-anterior.pucsp.br/index.php/cognitiofilosofia/article/view/70114 sex, 07 fev 2025 00:00:00 -0300